domingo, 11 de dezembro de 2011

Conversas sobre o Natal


            Neste mês de Natal, gostaria de ter umas Conversas sobre o Natal, com pensamos e reflexões que podem nos dar sentido para o Natal. Não que ele já não tenha em si, mas é sempre bom nos lembrarmos do sentido de toda essa festa. Que em nossas casas haja muito Peru, muita alegria, muita cor e dedicação para ótimas ceias e celebrações, todavia, que também em nossos corações e mentes possamos celebrar e festejar os verdadeiros motivos do Natal, e possamos nos alimentar com as verdades que o Natal nos traz.
Em primeiro Lugar gostaria de pensar que no Natal Celebramos o “Deus mudou de endereço”

O Deus que mudou de Endereço – Mateus 1.18-25
            Esta é uma idéia e uma noção muito particular do Cristianismo. Se observarmos com carinho e cuidado outras tradições religiosas, deus, sempre vai ter assimilação a algo longe, algo diferente, algo distante e por que não algo que não temos como alcançar ou parecer. Sua figura ou imagem é Bem Diferente e Grandiosa.
            No Cristianismo Temos um Deus “QUE VEM!”. Uma palavra interessante para isso é “Hosana” que significa: “Ora VEM Senhor Jesus”.
Algo particular do Cristianismo, é que nosso Deus Não Vai! ELE VEM; nosso Deus não é Distante, é EMANUEL; nosso Deus não é estranho ou Diferente; ELE é como UM de Nós.
            Se pararmos para nos lembrar onde e quem era Deus no Antigo Testamento veremos que ele era um Deus de Longe! Era um Deus que estava no Templo e para ser mais específico no Santo dos Santos, onde nem todos poderiam entrar, nem todos poderiam falar, nem todos tinham acesso. Para chegar até Deus precisava ser santo, precisa nascer em uma classe sacerdotal ou estar completamente purificado, o que era impossível
            NO NATAL, CELEBRAMOS O NASCIMENTO DE ALGO MARAVILHOSO: CELEBRAMOS O NASCIMENTO DO DEUS QUE VEIO. Celebramos o Nascimento da Criança, que era Deus.
Podemos agora dizer: Então é Natal! Deus mudou de endereço e agora é Emanuel.
           
Mais, quais são as implicações disso?
É interessante tudo isso, bonito. Mas e daí?
·         Em primeiro lugar:
o   Se Deus veio até nós é para provar seu amor por Nós. (Gal. 3.8-14) Se não tínhamos condições de chegar até Ele. Se somos inconstantes demais para conseguirmos entrar no santo dos santos em sua presença, sem sermos queimados. Se em nossa vida diária, acabamos tropeçando em tantos detalhes, e em nós mesmos, nos afastando do Senhor. ELE VEM ATÉ NÓS: TODAS AS IMPOSSIBILIDADES SÃO SANADAS. TODO DISTANCIAMENTO É QUEBRADO. DEUS SE IMPORTA EM SE RELACIONAR CONOSCO, MESMO NÓS NÃO SENDO TÃO BONS, E TÃO PERFEITOS. ELE NOS AMA E QUER SE RELACIONAR CONOSCO, DESEJOU NOS SALVAR, DESEJOU NOS TOCAR.    NOSSO DEUS NOS AMA, NOSSO DEUS VEIO ATÉ NÓS, PARA NOS SALVAR E RELACIONAR-SE CONOSCO.  NO NATAL, FICAMOS ALEGRES, POIS FESTEJAMOS O NASCIMENTO DO DEUS QUE VEIO ATÉ NÓS.
·         Em segundo Lugar:
o   Se Deus veio até nós e mora dentro de Nós. Nosso relacionamento com ELE, não está restrito A UM ENDEREÇO E UM DIA. MAIS AINDA, MEU RELACIONAMENTO COM O OUTRO, TAMBÉM É UM RELACIONAMENTO COM DEUS.
Essa idéia e percepção se expressa nas vezes que o próprio Jesus, nos dá indícios que as “formas” de relacionamento com Deus mudaram, afinal, Deus também mudou de endereço e não está mais preso ou fixo em um determinado lugar ou outro. Se Deus agora, é como um de nós e mora através do Seu Espírito Santo dentro de nós. Não podemos mais, continuar com as sensações que temos que somente aqui dentro da igreja estamos realmente de frente ou em contato com Deus. Também não é possível continuarmos com a prática quase que imperceptível, de chegarmos a igreja colocarmos uma veste de santos e de pessoas que realmente se interessam por Deus e querem encontrá-lo, querem ser melhores, querem oferecer algo de melhor a Deus, mais, ao final do culto ao voltar para casa, se não de forma consciente, mas inconscientemente, também finalizamos a presença de Deus diante de nós e voltamos à normalidade de nossas vidas, sendo e fazendo coisas que não faríamos se soubéssemos com certeza que ele está diante de nós.
Quando Jesus fala para a samaritana que nem em Genesaré, nem ao menos em Jerusalém, mas os adoradores adoram em Espírito e em Fidelidade/Verdade/Lealdade (João 4.24). Quer dizer que adoração não somente é um ato que faço em um lugar determinado, com um rito determinado, adoração é um estilo de vida de serviço e amor,  que tenho com fidelidade e lealdade, pois o Espírito de Deus habita em mim e vai comigo aonde eu for.
A outra parte da afirmação que fiz, é que não somente Deus está e vai comigo onde for, mas também que minhas relações com o outro, também são relações com Deus
Em pelo menos duas passagens que quero ler para vocês essa verdade vêem à tona: Atos 4.1-5; 10-14; 28 -  Mat. 25.34-40
O que podemos perceber de forma bem clara no primeiro texto, é que Pedro julga serem imundas coisas que sua estrutura religiosa judaica ditava por imunda, e basicamente por não ter NADA de Deus nelas. Inclusive Cornélio, que por não ser judeu, em essência já era alguém que merecia distanciamento, pois Deus nele não estava. Pedro tem que apreender com duras penas, que o outro é um ser criado por Deus, e que Deus está Nele o purificando e o fazendo ser merecedor de minha atenção, de meu serviço e Amor.
O segundo texto é mais pesado e duro. Jesus com duras palavras nos diz claramente que está no outro. Por mais sujo, imundo, fedido, porcalhão etc... Que ele possa ser, quando estivermos fazendo a Ele estamos fazendo a Deus.

Realmente, uma das maravilhas do evangelho é crer e saber que nosso Deus é um Deus que vem até por nós por AMOR. Não tínhamos nada que nos fizesse merecer essa ação, ainda assim, Deus vem até nós... Celebramos isto no NATAL E MUITO NOS ALEGRA.
Entretanto, precisamos nos lembrar que Deus está conosco o tempo todo, mora em nós e não em templos feitos por mãos humanas e sendo assim, nossa vida é adoração, em tudo que fazemos temos sempre que pensar que está EM NÓS, e DIANTE DE NÓS; Inclusive e principalmente que Deus está diante de Nós no rosto e na vida do Outro. Quando nos relacionamos com o outro também nos relacionamos com Deus.
Uma música interessante do Palavra Antiga: “O amor que nos faz um” – Em certo momento ela diz: “Você diz que me ADORA, mas não Estende a Mão!”.
É disso que o Natal, deve também nos lembrar!!

Que neste Natal, você celebre a vinda do Emanuel. Alegre-se com a prova de Amor incondicional dada por Deus. Mas também possa fazer um Natal para aquele que está próximo de Você! Deixe Deus nascer em você e provar o amor dele ao outro!
         Um Grande Abraço,
Joaze Lima, Pr.

domingo, 13 de novembro de 2011

Reflexões em volta da Mesa de Jesus

Uma das passagens mais belas da Bíblia é aquela onde Jesus chama seus discípulos e lhes convoca para preparar-lhe uma ceia na noite da páscoa. Este texto é relatado nos evangelhos, e nosso olhar nestas reflexões estarão utilizando as lentes de Lucas no capítulo 22 a partir dos versículos 7, na Bíblia NVI.
                Vejamos:
vs. 7 – 14 : Jesus pede para que seus discípulos se adiantem na caminhada e, seguindo suas coordenadas, preparem um local e uma mesa para cearem. Quando tudo estava pronto, entraram e se reclinaram à mesa. Não nos é dado saber se houve uma conversa, se ficaram orando ou simplesmente sentaram e já comeram a ceia, o que é possível perceber é que naquela noite, o ápice seria o ato da ceia.
Vs. 15 – 16: Jesus nos informa que desejou ansiosamente comer aquela Páscoa com seus discípulos. Isto já nos chama atenção de que Deus escolheu esta data cheia de simbolismos. A páscoa ali era celebração de libertação do povo de Deus no Antigo Testamento tendo naquela época suas casas marcadas com sangue que os protegia. Jesus também deixa claro que algo aconteceria e nas “próximas” páscoas não estaria ali para ceiar com eles. Somente quando todos estivessem no Reino de Deus, mais propriamente dito no céu.
Vs.17 - 18: Jesus recebe um cálice, agradece e diz: “Tomem isto e partilhem uns com os outros”.  Interessante que no simbolismo Jesus não usa somente os objetos e alimentos como também suas próprias atitudes. Assim como ele recebeu um cálice com vinho e distribuiu com os demais, nos informa que devemos ter a mesma atitude: Quando recebermos o cálice devemos partilhar com nosso próximo. A ceia se institui quando estamos dispostos a partilhar o que temos recebido. Nesse caso do cálice recebido, recebemos libertação, vida e comunhão. Partilhar o cálice é partilhar da comunhão que tenho com Cristo, da vida que me foi dada e da libertação adquirida.
                Novamente Jesus afirma que não fará este ato pessoalmente até que estejamos todos juntos.
Vs.19 – 20: De igual modo Jesus pega o pão, assimila com seu corpo que é dado por nós e nos exorta a fazer como ele. A ceia se institui quando estamos disponíveis a dar nosso corpo em favor de outrem. De igual modo diz Jesus. Assim como ele deu seu corpo, deu o que tinha, para que não só aqueles, mas todos tivessem oportunidade à vida, nós também deveríamos estar dispostos... NÃO! Deveríamos dar/partilhar nosso corpo com o outro para que tivesse vida, ou experimentasse aquilo do qual eu já desfruto.
Vs. 21; 31 – 32. Permita-me retirar mais estes 3 vs. Pôr foco na ceia e observações das implicações nos apresentadas por Jesus. Comumente a ceia é oferecida para pessoas que já são convertidas, já estão arroladas na listagem de membros da igreja local, são dizimistas e cumprem as requisições da ordem religiosa. Interessante! Mas tem algumas colocações de Jesus que devem chamar nossa atenção. A primeira e a última falam da mesma pessoa vs.21/31-32, falam da possibilidade que Jesus oferece a todos de estarem sentados a sua mesa, partilharem seu corpo e sangue. Mesmo aquele  que lhe é traidor e como nos é colocado no vs. 32 não é convertido. Talvez, e apenas talvez isso aconteça porque a ceia é a renovação da Aliança de Deus com os homens, e nessa (nova) relação a marca do sangue não está disponível somente para aqueles que são descendentes de Abraão, cumprem as leis etc. A nova aliança tem como critério a graça que é e está disponível a todos, até os não convertidos que possivelmente trairão Jesus. A ceia lhes é a oportunidade de partilhar, da Graça, Salvação e Libertação que lhes foi dada por Jesus.

Concluo com a reflexão que a ceia é um ato de partilha da aliança que temos com Deus (cálice) onde temos libertação, salvação. Devemos então partilhar esse cálice que recebemos com os que estão à nossa volta e não experimentaram desse cálice.
Em mesma medida, talvez um pouco mais dolorida, seja a partilha do pão. Na ceia devemos partilhar do que é meu, meu corpo, minha vida, para aqueles que estão a nossa volta e precisem de ajuda, uma mão estendida, um prato de comida, uma carona, um olhar, um abraço ou um ouvido. Receber do corpo de Jesus é maravilhoso, só não devemos esquecer que aquilo que recebemos de graça, com graça e de graça devemos compartilhar.
Nessa nova Aliança, GRAÇAS A DEUS, o que realmente importa o que eu faço com Ela, a resposta que dou a ela. Nos é oferecido, vida, graça, libertação, salvação e comunhão. Não é por merecimento, mas, por amor. Que ao redor da mesa, e ao seu redor possam receber de Deus e de suas mãos... a Ceia de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!